Close Menu
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Facebook Instagram YouTube
    Canto dos Clássicos
    newsletter
    • Início
    • Resenhas de Filmes
    • Listas
      • Melhores Diretores
      • Filmes de cada país
      • Todas as listas
    • Movimentos
      • Surrealismo
      • Neorrealismo Italiano
      • Montagem Soviética
      • Nouvelle Vague
      • Cinema Novo
      • Expressionismo Alemão
    Canto dos Clássicos
    Cinema

    Nosferatu – 1922 (Resenha)

    Bruno YashinishiBy Bruno Yashinishi20 de junho de 20161 comentário

    O Expressionismo Alemão foi, sem dúvida, um dos mais importantes e marcantes movimentos cinematográficos da história. Essa tendência artística popularizou-se na Europa durante as primeiras décadas do século XX, muito influenciada pelo contexto da Primeira Guerra Mundial, onde buscou expressar sentimentos ocultos da alma humana, como o terror, o desespero e o fascínio pelo sombrio através de interpretações e cenários caricatos, constante dualismo entre luzes e sombras, maquiagens pesadas e impressionantes, etc.

    Um dos maiores expoentes do Expressionismo alemão foi Friedrich Wilhelm Murnau (1888-1931), grande realizador do cinema mudo e do movimento Kammerspiel, que consistia em pouco uso de diálogos e destaque para a personalidade de suas personagens.

    Em 1922, Murnau realizou o filme Nosferatu: uma sinfonia do horror (Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens em alemão). O roteiro é uma adaptação quase perfeita do romance Drácula (1897) escrito pelo irlandês Bram Stoker, no entanto, o título do filme e os nomes de personagens e lugares da trama precisaram ser alterados, pois a família do escritor não autorizaram na época os direitos autorais da obra.

    O longa começa com um relato de como a cidade portuária de Wisborg foi assolada pela peste em 1838. O corretor de imóveis Knock (Alexander Granach) recebe uma carta de um conde dos Montes Cárpatos chamado Orlok (Max Schreck) procurando uma residência em Wisborg. Knock se entusiasma com a demanda do conde e encarrega seu empregado, o jovem Thomas Hutter (Gustav von Wangenheim) a ir até o castelo de Orlok para lhe apresentar pessoalmente uma casa disponível, que coincidentemente fica em frente à casa de Thomas.

    O jovem Hutter é devotamente apaixonado por sua esposa Ellen (Greta Schröder) e quando esta fica sabendo da viagem do marido começa a se preocupar, pois tem muitos planos para o casal e teme por sua segurança. No entanto, Thomas parte em viagem rumo à cidade do conde. Chegando lá, os moradores locais parecem possuir um medo avassalador quando ouvem o nome Orlok. Em uma pensão em que Hutter se hospeda é desencorajado pelas pessoas a seguir em frente com sua missão através de histórias de vampiros e lobisomens escritas em um pequeno livro dado a ele, porém, sem entender o real temor dos moradores segue rumo aos aposentos do conde.

    Hutter é levado por uma estranha carruagem por entre uma floresta escura e sinistra. Um pouco assustado, mas ainda assim persistente Hutter se encontra com o conde Orlok, um sujeito magro, careca, curvado e de aparência extremamente assustadora. A acolhida, porém é amistosa, Orlok logo trata de preparar um jantar para o visitante. Thomas num descuido corta o dedo com uma faca e causa uma reação surpreendente do conde quando vê o seu sangue. O jovem aprendiz de corretor quer ir embora, mas Orlok insiste para que ele passe a noite em seus aposentos. Na manhã seguinte Thomas está mais tranquilo e descansado, porém nota que há duas pequenas marcas de mordida em seu pescoço, as quais ele atribui aos mosquitos. Durante o dia ele passeia pelos aposentos e envia uma carta à sua amada. Quando chega a noite se encontra novamente com Orlok e enquanto lhe apresenta a papelada da imobiliária deixa cair um pequeno retrato de Ellen em cima da mesa. O conde fica hipnotizado pela figura da jovem dizendo: “Que lindo pescoço a sua mulher tem”.

    Imediatamente o conde Orlok aceita comprar a casa e assina a escritura. Antes de dormir, Hutter lê no livrinho que ganhou sobre Nosferatu, o vampiro, que a noite suga o sangue de suas vítimas. Percebe que se trata de Orlok e acaba desmaiando em seu quarto. Enquanto o conde bebe o sangue de seu pescoço, Ellen parece pressentir telepaticamente os horrores que o marido está passando, tendo crises de sonambulismo e alucinações em Wisborg. Quando amanhece Thomas Hutter decide investigar os mistérios que está presenciando. Adentrando em um mausoléu descobre um caixão dentro do qual Orlok dorme tranquilamente. Naquela noite vê o conde carregar uma carruagem com vários caixões e partir dentro de um deles.

    Hutter decide fugir do castelo. Faz uma corda com lençóis e se atira pela janela. Encontrado inconsciente pelos moradores locais é levado para o hospital. Enquanto isso, Orlok trata de pôr os caixões sobre uma jangada e ser levado com eles para um veleiro que o conduz rumo à Wisborg. Ao se recuperar, Thomas parte imediatamente para sua terra, pois a essa altura já percebe o perigo que Ellen está a correr.

    No veleiro, os tripulantes estranham o carregamento funéreo. Percebem uma carta de recomendação para que assegurem o transporte dos caixões e para que não os abram. Curiosos, os tripulantes abrem um dos caixões e se surpreendem com terra e ratos em seu interior. Pouco a pouco a tripulação vai morrendo ao contrair a peste trazida pelos ratos e quando chega ao seu destino, o veleiro já está com seus tripulantes todos mortos.

    Em Wisborg, o imobiliário Knock ficou louco e está mantido em uma cela. Ao delirar parece pressentir a chegada de Nosferatu na cidade. De fato, quando a embarcação chega ao seu destino traz consigo o diário de bordo alarmando o contágio da peste. As autoridades locais ficam atônitas e declaram estado de emergência, no entanto já era tarde demais, a peste se alastra por Wisborg através dos ratos dizimando boa parte da população e tornando a cidade um caos. Knock é culpado pelo alastramento da epidemia, sofre perseguição, mas acaba fugindo. O professor Bulwer (John Gottowt), especialista em epidemias, não descobre antídoto contra essa peste.

    Ellen tem frequentes crises de alucinações durante a noite. Quando Hutter finalmente consegue voltar pra casa trata rapidamente de se encontrar com a amada e velar por sua segurança. O conde Orlok, Nosferatu, leva seus caixões e acomoda-se na velha casa em frente à de Hutter. Durante a noite aparece como uma figura sombria na janela espiando o quarto de Ellen, esta por sua vez lê no pequeno livro de Hutter sobre o vampiro e seu legado demoníaco. Ellen descobre que para deter Nosferatu deve lhe oferecer o próprio sangue, pois somente uma mulher pode levá-lo ao “esquecimento do canto do galo”, ou seja, deve garantir que o vampiro fique a sugar o seu sangue até o raiar do dia e só assim enfraqueceria a besta. Com isso a jovem entra em desespero e seu marido sai às pressas procurar um médico.

    Nosferatu fica estonteado com a beleza da jovem e percebendo que ela está sozinha consegue se infiltrar em seu quarto.  O encontro do vampiro com Ellen é terrível. A moça desmaia de pavor enquanto o conde logo morde o seu pescoço e se alimenta de seu sangue. Saciando-se da jovem durante horas, Orlok não percebe o nascer do sol e é surpreendido pelo cantar do galo. Ao tentar fugir agoniza com a claridade e se desfaz em cinzas.

    Quando Hutter chega acompanhado do médico vê sua amada morrer em seus braços. Ainda que trágico, o final da história também leva à morte do vampiro e ao fim da peste na cidade.

    Nosferatu é indispensável aos amantes do cinema mudo. Além disso, é considerado por críticos como um dos 100 filmes mais importantes da história. O conde Orlok, interpretado por Max Schreck é uma das criaturas mais apavorantes já retratadas no cinema e se tornou um ícone na concepção de vampiros influenciando essa figura lendária até os dias atuais. Em 1979, a genialidade do diretor alemão Werner Herzog trouxe para o cinema um remake do filme de Murnau com o título Nosferatu, o vampiro da noite, com Klaus Kinski no papel do vampiro e Isabelle Adjani hipnótica como Ellen. Também um clássico, muito mais elaborado e com uma produção mais requintada, porém, não conseguiu superar a originalidade do grande ícone do Expressionismo alemão de 1922.

    Previous Article10 filmes sobre a angústia para assistir antes de morrer
    Next Article 10 filmes que quebram a linha entre ficção e realidade
    Bruno Yashinishi
    • Facebook

    Pesquisador na área do cinema com ênfase em História do Cinema, relação entre Cinema e História e cinema e Filosofia. Pesquisador do cinema clássico contemporâneo com ênfase nas obras do diretor Stanley Kubrick, bem como seu procedimento estético e narrativo. Atualmente é professor de Filosofia, Sociologia e Ensino Religioso nas séries do Ensino Médio de colégios da rede particular de ensino.

    Postagens Relacionadas

    David Cronenberg: Surrealismo e Horror Corporal

    29 de março de 2025

    A Paixão de Joana d’Arc – 1928 (Resenha)

    28 de fevereiro de 2025

    Psicologia no Cinema: quando a mente humana se torna protagonista

    26 de fevereiro de 2025

    Os Sete Samurais – 1954 (Resenha)

    27 de junho de 2024

    1 comentário

    1. Pingback: Especial Final de Semana: filmes épicos, góticos e de fantasia medieval – Press Periódico & NNNBC – Grupo Duna

    Leave A Reply Cancel Reply

    Canto dos Clássicos
    Facebook Instagram YouTube
    © 2026 Canto dos Clássicos | Todas as imagens aqui contidas são marcas registradas dos seus respectivos proprietários. Polítca de Privacidade.

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.